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O que faz um corretor de seguros (e por que não custa mais caro)
A comissão já está na tabela da seguradora, com ou sem corretor. A diferença é ter alguém que compara antes e resolve depois.
Uma dúvida legítima e frequente: contratar por corretora sai mais caro do que ir direto na seguradora?
Não. E entender por quê ajuda a decidir melhor.
Como o corretor é remunerado
A comissão de corretagem já está embutida na tabela da seguradora ou da operadora. Ela é um custo de distribuição previsto na precificação do produto — existe com ou sem corretor no meio.
Se você contrata direto, a seguradora simplesmente retém essa parcela ou a repassa ao canal próprio de venda. O preço para você é o mesmo.
Em alguns casos o corretor consegue preço melhor que o do canal direto, por trabalhar com condições comerciais negociadas por volume ou por conhecer campanhas vigentes que não são anunciadas ao público.
O que a lei diz
A profissão é regulada. O corretor de seguros precisa ser habilitado e registrado na SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.
A Lei 4.594/64 define o corretor como o intermediário legalmente autorizado a angariar e promover contratos de seguro. E, importante: ele é o representante do segurado, não da seguradora. A obrigação técnica dele é com quem contrata.
Para planos de saúde, a comercialização é regulada pela ANS, e o corretor precisa estar vinculado às operadoras com que trabalha.
O trabalho antes da contratação
- Levantar o risco real. O que precisa ser protegido, em que valor, com que prioridade.
- Traduzir a necessidade em coberturas. É aqui que se decide se a apólice vai servir. A maior parte das frustrações com seguro nasce de uma cobertura que não foi contratada porque ninguém perguntou.
- Cotar em várias companhias. A dispersão de preço para o mesmo risco é grande, e as condições contratuais variam mais ainda.
- Comparar o que é comparável. Duas propostas com preços parecidos podem ter franquias, limites, carências e redes completamente diferentes.
- Explicar as exclusões. Antes de assinar, não depois do sinistro.
O trabalho depois da contratação
Esta é a parte que não aparece na proposta comercial e que define o valor da relação:
- Endossos e alterações: inclusão de dependente, mudança de endereço, troca de veículo, alteração de valores;
- Aviso e acompanhamento de sinistro, com a documentação certa desde o primeiro dia;
- Contestação de negativas de cobertura, com o argumento técnico correto;
- Análise de reajuste e apresentação de alternativas;
- Renovação, com revisão do que mudou na sua vida ou no seu negócio;
- Revisão periódica da carteira — o seguro contratado há cinco anos raramente ainda serve.
No dia do sinistro, a diferença entre ter e não ter corretor é a diferença entre saber a quem ligar e descobrir sozinho como funciona o processo de uma companhia, no pior momento possível.
Como verificar se um corretor é habilitado
O Registro Nacional de Corretores está disponível para consulta pública no site da SUSEP. Basta o CPF, o CNPJ ou o nome.
Vale conferir. Contratar por meio de intermediário não habilitado expõe você a problemas que só aparecem depois.
O que esperar de um bom corretor
- Que pergunte bastante antes de propor qualquer coisa.
- Que apresente mais de uma opção, com as diferenças explicadas.
- Que aponte o que a apólice não cobre, sem ser perguntado.
- Que registre por escrito o que foi combinado.
- Que atenda depois da venda com a mesma disposição de antes.
- Que diga “esse produto não é para você” quando for o caso.
E o que não esperar
Que ele consiga cobertura para o que já aconteceu, ou preço abaixo do risco. Seguro é um contrato técnico com regras — o corretor navega essas regras a seu favor, não as suspende.
