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Seguro auto: o que realmente muda o preço da sua apólice

Duas pessoas com o mesmo carro podem pagar valores muito diferentes. Entender o que pesa no cálculo é o que permite economizar sem abrir mão de cobertura.

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O preço de um seguro auto não sai de uma tabela do carro. Sai de um cálculo de risco que combina veículo, condutor, uso e região — e é por isso que dois vizinhos com carros idênticos recebem cotações que diferem em centenas de reais.

Saber o que entra nesse cálculo é o que permite ajustar o que dá para ajustar.

O que a seguradora avalia

O veículo. Modelo, ano, versão, valor de mercado e — crucialmente — o índice de roubo e furto e o custo de reposição de peças. Dois carros do mesmo preço podem ter prêmios muito diferentes se um deles for alvo preferencial de roubo ou tiver peças caras.

O condutor principal. Idade, tempo de habilitação, sexo, estado civil. Motoristas jovens pagam mais porque a estatística de sinistro é maior. Este é o item de maior peso depois do veículo.

O perfil de uso. CEP de pernoite, CEP de trabalho, quilometragem mensal, se há garagem em casa e no trabalho, se o veículo é usado por aplicativo.

Quem mais dirige. Se há condutor entre 18 e 25 anos com uso regular, isso precisa ser declarado — e muda bastante o preço.

O histórico. Classe de bônus (o histórico de anos sem sinistro) e sinistros anteriores.

As coberturas escolhidas e a franquia.

Declarar perfil errado para pagar menos é o atalho que mais dá errado. Se no momento do sinistro ficar comprovado que o condutor habitual era outro, ou que o veículo era usado por aplicativo sem declaração, a seguradora pode recusar a indenização.

As coberturas que compõem a apólice

Casco (compreensiva). Colisão, incêndio, roubo e furto. É a base.

Responsabilidade civil facultativa (RCF). Danos causados a terceiros, materiais e corporais. É a cobertura mais importante da apólice — o valor de um carro se conhece; o valor de uma indenização por dano corporal a terceiros, não. Vale contratar limite generoso: o custo adicional é pequeno em relação à exposição.

APP (acidentes pessoais de passageiros). Morte e invalidez dos ocupantes.

Vidros, faróis, lanternas e retrovisores. Cobertura acessória, das mais acionadas.

Assistência 24h. Guincho, chaveiro, pane seca, troca de pneu. Confira a quilometragem de reboque contratada.

Carro reserva. Costuma ser o item que mais pesa na experiência real de quem usa o carro para trabalhar.

A franquia

É o valor que fica por conta do segurado em sinistros parciais. Não se aplica em perda total nem em roubo.

  • Franquia reduzida: prêmio maior, desembolso menor no sinistro.
  • Franquia normal: o padrão.
  • Franquia majorada: prêmio bem menor, desembolso maior.

Quem tem reserva financeira e usa o carro com cautela costuma se beneficiar de franquia maior. Quem não tem folga de caixa para um desembolso inesperado deve evitar.

Cinco formas legítimas de pagar menos

  1. Manter o bônus. Cada ano sem sinistro sobe uma classe. Acionar o seguro para um pequeno reparo que custa perto da franquia raramente compensa — a perda de bônus custa mais no longo prazo.
  2. Declarar garagem em casa e no trabalho, quando for verdade.
  3. Rastreador ou dispositivo antifurto, em modelos que a seguradora bonifica.
  4. Ajustar a franquia ao seu perfil financeiro real.
  5. Cotar em várias seguradoras. A dispersão de preço para o mesmo risco é grande — e é justamente isso que uma corretora faz em uma cotação.

O que checar antes de fechar

  • O valor de referência da indenização em perda total: 100% da tabela FIPE, mais ou menos que isso.
  • Se há cláusula de perfil e quais são os limites.
  • O limite da RCF para danos materiais e corporais, separadamente.
  • O que a assistência 24h cobre em quilometragem e em número de acionamentos.
  • Como funciona a indenização de terceiros e se há assistência jurídica.

Um lembrete sobre o mais importante

O primeiro instinto de quem cota seguro auto é comparar o preço final. O segundo deveria ser comparar o limite de responsabilidade civil.

Bater o carro é caro. Causar um dano corporal grave a outra pessoa pode ser financeiramente devastador por décadas — e é exatamente a hipótese contra a qual o seguro serve.

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